segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Duas Mulheres - Fábio Kerouac


(um poema pra Elany Morais)

duas mulheres vão de mãos dadas
elas se amam
elas se dão
as mãos
e nada as deixam incomodadas...

elas se amam... 
as duas mulheres de mãos dadas pela rua...
nenhuma delas estava nua 
e só andam de mãos dadas...

as mulheres de mãos dadas se amam
e de mãos dadas, as duas mulheres, 
às vezes se beijam

estão sempre por aí, sem medo do amor...
sem medo de ti, sem medo... 
de dar as mãos e um beijo!

o amor é livre 
como o beijo numa flor
e numa mulher de sempre-livre
não importa o papa argentino
nem o deus brasileiro
as mulheres, que andam de mãos dadas,
se amam sem qualquer impedimento ou olhar alheio...
além das 4 paredes!

___________________________________
Poeta caxiense Fábio Kerouac, 
 Hamburgo/Alemanha, 2014
fabiokerouac@gmail.com

domingo, 12 de outubro de 2014

MARANHENSES ILUSTRES - PARTE I

MÚSICOS, POETAS E ESCRITORES 
DA MINHA CIDADE CAXIAS


GONÇALVES DIAS Antonio Gonçalves Dias, poeta, professor, crítico de história, etnólogo. Nasceu no sitio Boa Vista, na Mata do Jatobá, município de Caxias/MA, em 10 de agosto de 1823, e faleceu no dia 3 de novembro de 1864, em um naufrágio do navio francês Ville de Boulogne na costa do Maranhão. É lembrado como o grande poeta indianista da geração romântica. Adepto do Romantismo adotou o tema do índio para dar feição nacionalista à sua literatura . Na segunda parte do Hino Nacional, os trechos que estão entre aspas foram extraídos do poema Canção do Exílio: "Nossos bosques têm mais vida", “Nossa vida" no teu seio "mais amores". É lembrado como um dos melhores poetas líricos da literatura brasileira. É Patrono da cadeira nº 15 da Academia Brasileira de Letras.

COELHO NETO Henrique Maximiano Coelho Neto (Caxias/MA, 21 de fevereiro de 1864 — Rio de Janeiro, 28 de novembro de 1934). Poeta e escritor, autor do epíteto"Cidade Maravilhosa" em homenagem à Cidade do Rio de Janeiro. Integrou o Parnasianismo, movimento essencialmente poético que reagiu contra os abusos sentimentais dos românticos. Usou em sua obra um vocabulário cheio de artifícios retóricos. Escreveu mais de 100 livros e aproximadamente 650 contos. Foi membro e fundador da cadeira n° 2 da Academia Brasileira de Letras, e também seu presidente (1926).


TEÓFILO DIAS Teófilo Odorico Dias de Mesquita (Caxias/MA, 8 de novembro de 1854 — São Paulo, 29 de março de 1889) foi um advogado, jornalista e poeta brasileiro, sobrinho de Gonçalves Dias e patrono da cadeira nº 36 da Academia Brasileira de Letras. Suas obras: “Flores e Amores", Caxias, 1874; Cantos Tropicais, São Paulo, 1878; Fanfarras, São Paulo, 1882; Lira dos Verdes Anos, São Paulo, 1878; A comédia dos deuses, São Paulo, 1888.



VESPASIANO RAMOS - Joaquim Vespasiano Ramos (Caxias/MA, 13 de agosto de 1884 — Porto Velho, 26 de dezembro de 1916), foi um dos mais representativos poetas de seu tempo. Boêmio, viveu intensamente a sua arte e morreu cedo. Tinha o verso fácil, agradável. Ele é patrono da Cadeira nº 32 da Academia Maranhense de Letras e da cadeira nº 40 da Academia Paraense de Letras. 


TEIXEIRA MENDES Raimundo Teixeira Mendes (Caxias/MA, 5 de abril de 1855 – Rio de Janeiro, 1927). Filósofo, matemático, abolicionista e republicano. Ele foi um dos idealizadores da Bandeira Nacional e autor do dístico “Ordem e Progresso”. Publicou vários livros, entre eles: A propósito da liberdade dos cultos (1888); A política positivista e o regulamento das escolas dos exércitos (1890); A comemoração cívica de Benjamin Constant e a liberdade religiosa (1892); A liberdade espiritual e a organização do trabalho (1902) e A diplomacia e a regeneração social (1908); Apontamentos para a Solução do Problema Social no Brasil (1880); A Pátria Brasileira (1883). 

CÉSAR MARQUES - César Augusto Marques (Caxias/MA, 12 de dezembro de 1826 – Rio de Janeiro, 5 de dezembro de 1900). Foi médico, professor, escritor, tradutor e historiador brasileiro. Patrono da cadeira n° 35 da Academia Maranhense de Letras e da cadeira n° 7 da Academia Caxiense de Letras.

UBIRAJARA FIDALGO - Ubirajara Fidalgo da Silva (Pov. São Pedro/Caxias, 22 de Julho de 1949 – Rio de Janeiro, 3 de Julho de 1986), foi ator, dramaturgo, produtor, empresário, apresentador de TV e diretor de teatro brasileiro. Considerado primeiro dramaturgo negro do Brasil, reconhecido nacionalmente. Peças de Teatro: A Superexcitação (1977-); Desfulga (1977); Os Gazeteiros (1982); Fala Pra Eles Elisabete (1983); Tuti (1985); Bambi's Son (1986).

SALGADO MARANHÃO José Salgado Santos (Pov. Cana Brava das Moças/Caxias, 13 de novembro de 1953). Poeta, escritor, compositor e jornalista. Sua obra é reconhecida por diversos prêmios. Em 1998, ganhou o prêmio Ribeiro Couto, da União Brasileira dos Escritores, com o livro “O Beijo da Fera”. Em 1999, sua antologia Mural de Ventos foi vencedora do Prêmio Jabuti. Em 2011, foi agraciado pela Academia Brasileira de Letras, na categoria poesia, com o livro “A Cor da Palavra”. Entres suas obras estão: Ebulição da Escrivatura (1978); Os Punhos da Serpente (1989); O Beijo da Fera (1996); Mural de Ventos (1998); Sol Sanguíneo (2002); A Pelagem da Tigresa (2009). Composições mais famosas: Caminhos do Sol (c/ Herman Torres), Amorágio (c/ Ivan Lins), Apesar da Solidão (c/ Vital Farias), Ave cigana (c/ Zé Américo), Calmaria (c/ Zé Américo), Choro da lua (c/ Herman Torres), Do princípio ao sem fim (c/ Zé Américo), Eu pensei que você fosse a lua (c/ Zeca Baleiro), Feito passarinho (c/ Paulinho da Viola), Fogo (c/ Carlos Pita), O boi de Prata (c/ Mirabô Dantas), Peleja (c/ Herman Torres), Punhos da Serpente (c/ Xangai), Vôo livre (c/ Ivan Lins), Trem da Consciência (c/Zeca Baleiro).

ELPÍDIO PEREIRA – Elpídio de Brito Pereira (Caxias/MA, 16 de outubro de 1872 - Rio de Janeiro, 13 de abril de 1961), foi violinista, compositor e trabalhou no consulado geral do Brasil em Paris e Londres. O caxiense iniciou seus estudos musicais em Caxias e depois em Lisboa e Paris. Sua obra de maior êxito foi o balé “Les Pommes du Vosin” montado no teatro parisiense Gaité Lyrique, com enorme sucesso, chegando a 76 representações consecutivas. Foi o autor do Hino a Caxias. E escreveu ainda diversas peças sinfônicas e composições: Prelúdio Alegro e Scherzo; Adieu; Triunfal, Nupcial e Santa Cecilia; Dieu Et La Nature; J'aime; Matinée D'octobre; Minha Terra; Plaine; O Lençol; a ópera Cabalar; a Serenade Brésilienne para violino e piano; Romance Sans Paroles; a peça l'Éternelle Présence; Caxias, poema sifonico; Y-Juca Pirama (drama musicalizado inspirado no poema de Gonçalves Dias; A Brasileiras; Marabá (Gonçalves Dias); O Menestrel;  Morre de amor: (poesia de Gonçalves Dias), dentre outras.

JOÃO MENDES DE ALMEIDA - (Caxias/MA, 22 de maio de 1831 — São Paulo, 16 de outubro de 1898) foi escritor, jurista, político, jornalista e líder abolicionista brasileiro. É autor do Dicionário Geográfico da Província de S. Paulo. Fundou e dirigiu os jornais: A Lei, A Opinião Conservadora, A Ordem, A Autoridade, A Sentinela e A Sentinela Monarquista, todos em São Paulo. Sua atuação mais marcante foi à frente do movimento abolicionista, tendo redigido a Lei do Ventre Livre. Sua ainda não dimensionada produção jornalística e sua magistral obra jurídica, sua atenção e atuação em favor de pessoas carentes, entre outras qualidades, levaram a maior cidade do Brasil - São Paulo - a dar o nome do caxiense a uma de suas principais praças, com direito a busto.

BANDEIRA DE MELLO - Manoel Caetano Bandeira de Melo (Caxias/MA 30 de julho de 1918 - faleceu em 2008) - Poeta, ensaísta, advogado, foi membro da Academia Maranhense de Letras. Obra poética: A viagem humana (1960); O mergulhador (1963); Canções da morte e do amor (1968); Da humana promessa (1976); Uma canção à beira-mar (1977); Durante o canto (1978); A estrada das estrelas (1981); Da constante canção (1983).


sábado, 11 de outubro de 2014

O Poético - Isaac Sousa


Ando poeticamente
pelas ruas da cidade poética.

Poético é meu passo
como poéticos são meus encontros.
O sopro deste vento é poético
e a água que bebo é poética também.

Bato papos poéticos, 
dou abraços poéticos
e faço visitas poéticas
a lugares, pessoas e textos
que, poéticos ou não,
são pura poesia.

Ah, meu cotidiano poético:
Abaixo minhas cuecas
e, poeticamente, dou meu cu.

(Contra os poetas, por uma nova estética para a poesia 
em Caxias)

_____________________________
Poesia de  Isaac Sousa,  músico e escritor caxiense. 
 Vencedor do I Festival Caxiense de Poesia. 
Autor do livro Caxienses Ilustres: Tomo II. 
É guitarrista e líder da banda CasinoQuebec. 
Blog do autor: http://isaacsousa.blog.com

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

No corpo - Ferreira Gullar


De que vale tentar reconstruir com palavras
O que o verão levou
Entre nuvens e risos
Junto com o jornal velho pelos ares.
O sonho na boca, 
o incêndio na cama,
o apelo da noite
Agora são apenas esta
contração (este clarão)
do maxilar dentro do rosto.

A poesia é o presente.


Poeta maranhense Ferreira Gullar,
eleito na tarde desta quinta-feira (09/10/2014),
novo membro da Academia Brasileira de Letras.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

SEXO/CAMA


Fui ordinária
requintada
tímida
Misturei poesia com vários palavrões
Gritei
Uivei
Gemi
Rasguei almofadas e lençóis

Fui carnaval de amor
no circo de uma cama.


Manuela Amaral
(Portugal 1934-1995)

domingo, 5 de outubro de 2014

O Vento (Florbela Espanca)


O vento anda ficando mentiroso:
prometeu trazer você, não trouxe,
de dizer o porque, não disse;
esperou que eu me distraísse,
passou com pressa, rumo ao horizonte.

Já não tem importância que cometa
outra vez um ato de inconstância.
Aprendi a esperar.

Se ventos são capazes de levar embora,
a qualquer hora também são
capazes de fazer voltar.

sábado, 4 de outubro de 2014

Tua Porta


Todos os dias passo em tua porta
A fim de ver-te, entanto não te vejo;
À casa volto de esperança morta,
Com a desilusão de meu desejo.

Isto meu coração não mais suporta,
Já me tornei um verdadeiro andejo,
Acima e abaixo nessa rua torta...
Não consigo te ver como planejo!

Eu quisera te ver a todo instante:
Sem falta, ao menos, uma vez por dia,
Quanto isso consolaria-me bastante...

Em que lugar remoto, em que refolhos
Te ocultas, se tornando fugidia
Aos ardentes desejos de meus olhos?... 



OLIVEIRA MARQUES, Manoel - Poeta, jornalista e advogado. Nasceu na cidade de Coroatá-MA no dia 15/09/1897. Poema publicado no livro "Caderno de Marlene", 1969.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Grilhões (Rosane Lima)




A ti, sempre me vejo acorrentada
por aros frios, algemas de saudade.
E quanto mais me apertam com maldade,
menor é o desejo de ser libertada.

Porque se estás presente e eu sou ausência,
pior é ausente, a tua presença estar.
O nosso encontro é um jogo de azar,
pois se me ganhas, cedo-me em falência.

Já sei quem vale mais: não é a riqueza.
E se esse amor cretino é só pobreza,
por ele, eu abdico de milhões.

Assim, de vez, me rendo a teus grilhões.
E nasço e morro a cada dia santo,
a amar-te mais, atada ao teu encanto