segunda-feira, 4 de setembro de 2017

100 Poemas para Caxias - Parte 2




DESPERTA CAXIAS 
(João Vicente Leitão - 1970)

Desperta, Caxias! Alerta, Princesa!
E lança um olhar a teu belo passado.
Compara ao presente e verás, com tristeza.
Que estás nos divãs de teu nome sagrado.

Ó terra querida do Dias Carneiro!
O grande da indústria que soube elevar
O teu patrimônio moral, financeiro.
E soube o teu nome formoso, exaltar.

Nos longos recantos de todo o Brasil,
Assim como fez o Teófilo Dias,
Que muito distante do céu cor de anil,
Cantou tua glória, formosa Caxias.

E mais como fez o cantor dos TIMBIRAS
Que lá do estrangeiro, o teu nome elevou.
Desperta, Princesa, por ver maravilhas.
Que novo horizonte por Ti, despertou.

Querida Caxias, de nome sagrado,
Há muito dormias, em sono profundo,
Estavas vivendo do belo passado,
Do nome que tens, nos recantos do mundo.

O nome legado por Costa Alecrim.
O bravo guerreiro da luta do morro;
A luta de sangue, de mortes, enfim,
Que fez o inimigo pedir-lhe socorro.

Desperta e sorrir, pois agora o destino
Jogou, em teu seio, só homens de bem,
Que sabem fitar para o belo e divino,
Despidos da capa do brusco desdém.

Desperta, Princesa, de fé revestida.
Da grande vontade dos homens d’agora.
E em breve serás, ó Princesa querida.
A dona do nome que tinhas outrora.

_______________

CAXIAS
(Afonso Cunha)

Muitas vezes pensando nos remotos 
dias ilustres desta grande terra, 
vejo passarem diante dos meus olhos, 
soberbos e mais belos do que nunca 
os heróis das batalhas mais famosas 
e os peregrinos poetas que os cantam.

Vejo no altivo Morro das Tabocas,
batidos pelo sol quente de agosto
aqueles que, no entrechocar da luta,
ergueram tanto o nome de Caxias,
que, embora decorridos tantos anos,
Caxias sente que combatem ainda!

E é por isso, talvez, que este meu povo,
quando se lhe antepõe a tirania,
tem atitudes de guerreiro antigo:
e então se escuta, pelo espaço afora,
um clamor de clarins, e de tambores,
e de cavalos ardegos de guerra... 

Nuvens de pó, que se erguem no horizonte, 
como criações de minha fantasia. 
Fazem-me um campo de batalha, 
Em que Alecrim de novo me aparece, 
revidando as injúrias do presente, 
com as mesmas armas que empunhava, outrora. 

Cada soldado que lhe segue os passos, 
tem para a morte um riso de ironia. 
Porque bem sabe que não vale a pena 
viver um povo que não tem coragem 
de arrebentar os seus grilhões de escravos 
numa explosão de cólera bendita. 

E à proporção que assisto a esse combate 
em que se apraz meu louco devaneio, 
fico a pensar de que serviria a vida, 
sem esses lances trágicos e belos 
dos que morreram pela liberdade 
e vivem agora para o nosso culto

_______________________ 

PEDESTRE
(Isaac Souza)

E se morre de amor? 
Amor de Ana, amor de Amélia, 
de uma Dama das Camélias? 
Às vezes, pulo da Ponte, 
às vezes, Morro Alecrim, 
por arlequina mascarada 
num carnaval de Veneza.

Se eu fizesse três amores, 
tivesse Três Corações, 
poção de amor em Caldeirões, 
faria meu Castelo Branco 
na sombra do Tamarineiro,
e na Volta Redonda dos teus seios 
Refinaria meu desejo.

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SER CAXIENSE
(Raimundo Nonato Cardoso)

Ser Caxiense é ter de sonhos uma
Grinalda enorme que lhe cinja o peito
É ter no peito, nessa Glória Suma,
À poesia o coração eleito...

Ser Caxiense é ter dos céus alguma
Missão divina neste mundo aceito;
É ter lá dentro o coração na pluma 
Morna e cheirosa dum macio leito...

É ter no peito um sabiá cantando 
Triste, canoro, com primor, e amenos
Voôs de Glória pelo peito alçado...

Se de Caxias, eu não sou, quisera
Que nas entranhas dessa terra, ao menos
Eu fosse um dia descansar - quem dera!...

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MINHA PRINCESA 
(Inês Pereira Marciel) 

Terra mãe, por Deus abençoada,
É tão rica de encantos mil...
Ante a realeza que tu és dotada,
Súdita curvo-me, fiel, servil.

Retorno a ti, oh, doce Princesa!
Após, debalde, alhures procurar
Esta tua beleza, soberana e sertaneja,
Que só tu possuis e vives a ostentar.

E que encontro nestas ruas palmilhadas,
E nas tuas praças, onde eternas juras de amor,
São levadas pela brisa morna e acanhada,
Aos ouvidos sequiosos do culpido sonhador.

E no luar que prateia os teus morros guardiões,
Como se fossem espadas reluzentes, em protidão,
Na defesa de teus filhos, teu trono, tradições,
Nas tuas cálidas noites enluaradas de verão.

Naquela lagoa encantada ou em teus riachos infantes,
Que generosamente deixas de tuas entranhas nascer
E que alimentam o plácito rio que te adentra, confiante,
Como  um amante desejoso de cuidados e prazer.

Na exuberância  de tuas matas verdejantes,
Onde cantam os bem-ti-vis, xexéus e juritis,
Ou nas palhas das palmeiras tremulantes,
Dos nativos babaçus, macaúbas e buritis.

Na simplicidade de vida de teu povo, tua gente,
Nos teus poetas, trovadores, todos teus talentos,
Na glória do teu passado, na riqueza do teu presente,
Que norteiam teu futuro, esperançoso acalento!

És minha Caxias, és Siriema, Trezidela, Cangalheiro e Ponte,
És Fumo Verde, Volta Redonda, Veneza, Pirajá, tantos e tantos!...
Um cântico sem final, que por mais que eu o cante,
Jamais poderei neste canto louvar todos os teus encantos!

_____________________ 

TESE
(Renato Meneses)

Destarte cidade luso-conservadora
de gáudios monarquistas, veacos ilustres
e heróis caguetes
puças de generosidade da boria do algodão
que à sorrelfa fugiam de penas pecuniárias
falando o mais fino francês.

Antítese

Entanto, braços bons de trabalhar
mulheres boas de fornicar
esculpiam ninguendades de anjos,
cosmes e gomes
em balaios de guerrilha.

Síntese

Eis a arquelogia nossa:
fósseis de puças e balaios
ancestral contradição infletida em nós.

Desteoria

Eu por mim, advento desse fóssil
Mas há quem desteoria.
Um agroval deles incompagina-se 
com essa metáfora de existidura forjada na ancestralidade
São feitos de amanhecimento sem memórias.
Quando muito vesperais do efêmo presente. 

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CAXIAS
(João Fonseca Maranhão)

Caxias, minha eterna namorada,
Jamais te esquecerei, terra querida!
Vejo-te nos meus sonhos retratada,
Nos momentos de dor de minha vida.

Não és, por certo, uma ilusão perdida:
És saudade em minh´alma encastelada,
Flor dileta de mim nunca esquecida,
Poema de luz em noite enluarada.

O teu céu, luminoso, cintilante
Sereno, dum azul resplandescente
É que sempre me acena para adiante.

Mesmo de longe, tenho-te bem perto;
Terra querida, sabiá dolente,
Juntos sonhamos um porvir incerto.

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CAXIAS RECORDADA
(Adailton Medeiros)


-- Caxias! 
-- Caxias! 
-- Caxias! 
-- ó Pátria

 guardai no vosso peito 
o nosso grito nunca proferido 
-- Sim - Exatamente isto: o nosso grito 

No entanto sabemos (com alegria) que
A morte é a vassoura do tempo: 
Tudo limpa 
Tudo faz desaparecer 
Tudo da carne: a beleza e o tormento 
Depois (tudo varrido: - limpo e reconciliado) 
resta-nos ancorar no esquecimento 

_____________________ 

PENSAMENTOS E VIVÊNCIAS 
(José Armando Rodrigues de Sousa) 

Nasci numa terra que as culturas são nativas.
Tem muita gente escrevendo poemas e poesias
Tem belezas que muitos ficam sem explicativas
Os encantos são tão belos e não são fantasias. 

Nós temos Gonçalves Dias, o glorioso
Nós temos Coelho Neto, o redentor
Nós temos Manoel De Pascoa, o valoroso
Nós temos Carvalho Junior, o inspirador. 

Nós temos Vespasiano Ramos, o estilista
Nós temos Teixeira Mendes, o embaixador
Nós temos o José Armando, o malabarista
Nós temos o Jotônio Viana, o navegador. 

Temos muitos nomes a documentar
Temos muitos nomes a esclarecer vamos estes nomes exaltar
Tara que todos possam conhecer. 

Temos o Morro do Alecrim
Temos o encanto da Veneza
Temos a beleza do Itapecuru
Temos o semblante das belas igrejas. 

Temos praças tão lindas
Temos ruas bem longas
Temos bairros divertidos
Temos pessoas valorosas. 

O seu nome é Caxias
A Atenas Brasileira
Princesa do Sertão Maranhense
O símbolo da verdadeira poética. 

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CAXIAS DOS AMORES 
(Alberto Pessoa) 

Caxias única, singular 
A tua história triste 
É bela para se contar 
Mas tua sina resiste. 

Teus dias estão escritos 
Nas peripécias da poesia 
Nas ruas aventuras, magia 
Na paixão de mil amores.

Minha cidade de amor 
Que embeleza meus dias 
Qual o canto do beija-flor .

Sei bem que sofro a tua falta 
Mas o que mais me maltrata 
É saudade de ti, que mata. 

______________________________

TERRA DA POESIA
Letra e música: Carloman Rocha

Minha cidade
É a terra da poesia
Abraça toda arte
Da plástica, dança, teatro
À cantoria

Minha cidade
É a mais bonita do sertão
É minha princesa
É o meu ouro, é o meu chão
Minha cidade
É a mais bonita do sertão
É minha princesa
É o meu ouro, é o meu torrão

Tens o nome da flor
Do amor e da alegria
Caxias, Caxias
Terra da poesia
Caxias, Caxias
Cidade de Gonçalves Dias
Caxias, Caxias
Terra da poesia

Princesa
Tu és patrimônio
Da cultura do Maranhão
Realeza
Teu nome está cravado com ternura
Na minh'alma e no coração

A felicidade mora aqui
Entre palmeiras e sabiá
E a poesia une-se a alegria
Num só coração
Na mesma emoção
Esse céu, esse sol
É que te faz brilhar
Te amo princesa
Te amo Caxias.

______________________________

Música: Tributo à Caxias 
(Naum EsteveS)

Minha terra tem palmeiras 
Onde canta o Sabiá
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá
Nesse canto que eu canto,
Canto com alegria,
Canto pra você princesa,
Canto pra você Caxias.

Minha terra, minha cidade,
Você mora em meu coração.
Por onde for, vou cantar você,
Princesinha do Maranhão.

As tua praças, teus casarões
Misturam passado e presente.
Que fascinam e encantam a gente.

As tuas fontes, 
Tem águas que são cristalinas,
Veneza beleza plena.
Caxias, linda menina!

Teus morros, tuas matas,
teus bichos, 
Teu céu de beleza sem par.
As tuas palmeiras tão lindas, 
Onde cantam o Sabiá.
Transmitem a tua beleza,
O teu encanto e magia.
Pra você minha o meu canto princesa,
Pra você o meu canto Caxias.

______________________________


TERRA MINHA
 (Salgado Maranhão)

Quando eu te reconheci,
havia um rio entre nós,
desde então sigo cantando
no leito da tua voz.

Quando eu te reencontrei,
já era marcado a ferro,
sem ao menos perceber
o poder do próprio berro.

Passa por mim esse slide
como um cinema secreto,
como se dessa paisagem,
fosse meu próprio alfabeto.

Me lanço por entre mares,
por caminhos que nem sei...
para o fim retornar
ao ponto que iniciei.

Mesmo listando ao presente
as memórias do futuro,
acabo por te encontrar,
cada vez que me procuro.

  

sábado, 2 de setembro de 2017

100 Poemas para Caxias - Parte 1




CAXIAS 
(Gonçalves Dias)

Quanto és bela, ó Caxias! — no deserto,
Entre montanhas, derramada em vale
De flores perenais,
És qual tênue vapor que a brisa espalha
No frescor da manhã meiga soprando
À flor de manso lago.

Tu és a flor que despontaste livre
Por entre os troncos de robustos cedros,
Forte — em gleba inculta;
És qual gazela, que o deserto educa,
No ardor da sesta debruçada exangue
À margem da corrente.

Em mole seda as graças não escondes,
Não cinges d'oiro a fronte que descansas
Na base da montanha;
És bela como a virgem das florestas,
Que no espelho das águas se contempla,
Firmada em tronco anoso.

Mas dia inda virá, em que te pejes
Dos, que ora trajas, símplices ornatos
E amável desalinho:
Da pompa e luxo amiga, hão de cair-te
Aos pés então — da poesia a c'roa
E da inocência o cinto.

_______________

CAXIAS [1]
(Gonçalves Dias)

Ao aniversário da sua Independência. 
1 de Agosto.

Caxias, bela flor, lírio dos vales, 
Gentil senhora de mimosos campos, 
Como por tantos anos foste escrava, 
Como a indócil cerviz curvaste ao jugo? 
Oh! como longos anos insofríveis, 
Rainha altiva, destoucada e bela, 
Rojaste aos pés de um regulo soberbo? 
À míngua definhaste em negro câncer, 
Onde um raio de sol não penetrava; 
Em masmorra cruel, donde não vias 
Cintilar o clarão d′amiga estrela... 

Oh! não, que a luz da esperança tinhas n′alma, 
E o sol da liberdade um dia viste, 
De glória e de fulgor resplandecente, 
Em céu sem nuvens no horizonte erguido. 

Eis o som do tambor atroa os vales, 
O clangor da trombeta, os sons das armas, 
A terra abalam, despertando os ecos. 
— Eia! oh bravos, erguei-vos, — à peleja, 
À fome, à sede, às privações, — erguei-vos! 
Tu, Caxias, acorda, — tu, rainha, 
Lamina de aço puro, envolta em ferro, 
Ao sol refulgirás; — flor que esmoreces, 
À míngua de ar, em cárcere de vidro, 
Em ar mais livre cobrarás alento, 
Graça, vida e frescor da liberdade. 

Ante mural do lusitano arrojo, 
Último abrigo seu, — feros soldados, 
Veteranas cortes nos teus montes 
Cavam bélicas tendas! — Um guerreiro, 
O nobre Fidié, que a antiga espada 
Do valor português empunha ardido, 
No seu mando as retém: debalde, oh forte, 
Expões teus dias! teu esforço inútil 
Não susta o sol no rápido declive, 
Que imerge aquém dos Andes orgulhosos 
Da África e da Ásia os desbotados louros! 

Eia! — o brônzeo canhão rouqueja, estoura, 
Ribomba o férreo som d′um eco em outro, 
Nuvens de fumo c pó lá se condensam... 
Correi, bravos, correi!... mas tu és livre, 
És livre como o arbusto dos teus prados, 
Livre como o condor que aos céus se arroja; 
És livre! — mas na acesa fantasia 
Debuxava-me o espírito exaltado 
Fráguas cruas de morte, o horror da guerra 
Descobrir, contemplar. — Oh! fora belo 
Arriscar a existência em pró da pátria, 
Regar de rubro sangue o pátrio solo, 
E sangue e vida abandonar por ela. 

Longe, delírios vãos, longe fantasmas 
De ardor febricitante! 
À glória deste dia comparar-se 
Pode acaso visão, delírio, ou sonho? 
Ao fausto aniversário 
Da nossa independência? 
Aclamações altíssonas 
Corram nos ares da imortal Caxias: 
Seja padrão de glória entre nós outros 
Santificada aurora, 
Que os vis grilhões de escravos viu partidos.

_______________

RÉQUIEM PARA CAXIAS 
(Jorge Bastiani) 

Em todas as estações estás
Presente entre chuvas e 
Sóis que banham os teus
Filhos orgulhosos de ti
Ó mãe terra que nos põe
De pé, de frente, firmes no
Caminhar entre pedras na 
Luta cotidiana em busca
De ritmos que 
Encaixe na canção que
Cantamos para 
Embalar teu sono.

_______________

CAXIAS 
(João Machado)

Minha terra, minha paixão
Meu socorro de ternas memórias...
No curso de um tempo,
Teu filho viveu,
Vive ainda no arqueduto da História.

Minha vida por ti é um amor contínuo,
E um sofrer sem fim
— perdida na hora espacial (moderna),
Teu passado e história têm raízes
Que nem o presente
No cruel sistema destrói.

Ser do meu ser, alma da minha alma,
Que densamente me conserva
Na vidraça do passado
E na luz da história. 

_______________


CANTATA PRIMEIRA
(Firmino Freitas)

Minha mãe Caxias,
de rosto cansado,
com ruas de piche,
de rijo basalto
e pedras pontudas
e, muitas, descalças.

Ainda em criança,
por ti adotada, 
sentei no teu colo,
ladrilhos de salas;
andei de gatinhas,
em velhas calçadas...

Matei minha sede,
lavei o meu corpo,
na água esmeralda
do Itapecuru,
que é o teu sangue,
em veias, corrente!

Cacei passarinho
no Raiz e no Goela;
comi canapum,
pitomba, tucum,
no alto-da-cruz.

Caxias de ontem,
de hoje e de sempre...
cantada em versos,
de mudos poetas,
amantes das musas,
teimando cantar...

_______________

MAGNÍFICAT 
(Firmino Freitas)

Ave Caxias 
De beleza plena
Contigo é o poeta, Urbe bendita
Entre todas, princesa
Do nosso sertão
No vale, teu ventre
O fruto, rebento
Bendito poema.

Musa Caxias 
Origem do canto
Evoca cantores
Os vates mentores
No certo e na sorte
Na vida e na morte
Agora e depois
Nos tempos sem fim
E seja assim.

_______________

A PRINCESA
 (Carvalho Junior)

Teu estado é uma verde verdade
Vestida em verso, banhada em ouro
A pele vermelha de sol e batalhas
Rebrilha os teus relevos
Revela e ratifica tua realeza
Tocar tua beleza é sem palavras
Dela com o perdão...
São teus, princesa dos poetas...
Os mais belos seios do sertão!

_______________

CAXIAS 
(Mário Luna Filho)

No teu silêncio
Encontro instantes de mim mesmo
Guardados na memória
Destas ruas quase sem nomes.

Num rito de busca
Vou colhendo fragmentos
De meus momentos dispersos
Pelos teus rumos.

Já não mais brincam meninos traquinos
Em tuas calçadas,
Bolsos repletos de petecas multicoloridas.
O trem, em seu ritmo lento de chegar
Não mais cogita a atenção
De teus filhos tão dispersos.

Mas a memória de teu rio
Lembrou-me cousas
Há muito esquecidas.
Achou-me
Talvez um pouco mais triste.
Mais sentido.
Mais só, 
Mais
Mário...
_______________

PENSANDO EM TI (PRINCESA)
(Alberto Pessoa)

Acordei pensando em ti
Na tua serena beleza
Nesse teu ar de princesa
Cheiro de flor, de jardim
E pensei na tua geografia
Na saliente silhueta
Mergulhei profundamente
Nas fontes caudalosas
Desse teu moreno seio
Passeei solenemente
Como se fosse príncipe
Em teu terreno fértil
Como se fosse o dono
De tua eterna nobreza
Quando eu sou tão somente
Amante de minha gente
Amor de filho errante
A saudade, o coração
Unem-se nesta oração
Rogando sempre a Deus
Que guarde nos olhos Seus
A minha, a sua, a nossa
Linda Caxias do Maranhão.

_______________

CACHO DE FLORES (ODE A CAXIAS)
(Wybson Carvalho)

quem amou, verdadeiramente,
te chamou de princesa
e quando quiseram arrancar
de ti o sumo nobre...
não aceitou beber o cálice
com teu sangue

quem ama, fielmente, te
chama de lírica poesia
e quando querem declamar
de ti o poema nativo...
atenta para ouvir os versos 
brancos do teu véu

quem nunca amará, em verdade,
te trairá sob cunho promíscuo...
e quando quiserem usufruir de ti
a beleza em ônus mercenário...
ofertará a plebe de teu reino
e te deixará orfã de viva natureza...



sexta-feira, 1 de setembro de 2017

INAUGURADA BIBLIOTECA ESCOLAR DÉO SILVA




Certa vez, perguntaram ao escritor Monteiro Lobato o que era preciso fazer para que o país alcançasse o progresso e desenvolvimento, ele então sabiamente respondeu:“um país se faz com homens e livros”. Sabemos que a nossa bela Caxias é berço de homens que contribuíram para  o desenvolvimento político, econômico, social e cultural de nossa cidade, de nosso país. E os livros? Para o nosso orgulho a cidade de Caxias é lugar de poesia “Terra dos Poetas”. 

“Em Caxias, poesia rima com poetar. Poetar a cidade, suas histórias e seus efeitos gloriosos. Poetar amores possíveis e impossíveis. Em fim a poesia como marca profunda de várias gerações”.  (Jordania Pessoa)

A biblioteca, ou melhor, BIBLIODÉOCA inaugurada na manhã de hoje (01) no Centro de Ensino Gonçalves Dias (Caxias-MA), leva o nome do grande poeta e intelectual Raymundo Nonato da Silva (Déo Silva). Natural de Caxias-MA (15/08/1937 - 27/09/1983), ele é autor dos livros “Ângulo Noturno” (1959) e “Equação do Verbo” (1980),  considerado um dos escritores mais importantes das letras maranhenses. 

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NOITE LUDOVICENSE

São Luís, um beco escuro e eu:
-- Mãos ao alto... a bolsa ou a vida!
-- Consulte-as, ambas estão vazias.

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FOTOGRAFIA

Eis minha angústia
perto da manhã,
a crescer, como um arbusto,
na planície vã.

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DE NENHUMA COISA

Uma coisa nasce
para ser alguma
e cresce, triste,
à falta de uma.

Uma coisa avança
para viver numa
e, em si, anoitece
sem ser nenhuma.

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TESTAMENTO

Deixo-te o verbo
que afugenta o Homem
das imprecações
que, em si, o consomem.

Deixo-te o amor,
amplo e concreto,
junto à sesmaria
do teu desafeto.

Deixo-te, em segredo,
no sol que expirou,
a última bênção
que herdei do que sou.

Deixo-te um tesouro
de súpera importância:
minh'alma fracionada
pela tua infâmia.

Deixo-te a memória
do quanto perdi,
no sexo convulso
a que me rendi.

Deixo-te o inverno
que nutre meus passos
e a alegoria
dos meus planos lassos.

Deixo-te, no ser,
o tudo que é teu
e o todo, que é nada,
do muito que é meu.

Deixo-te, em letras,
meu jeito de vida:
um excesso na mente
e um esbarro na ida.

Deixo-te, enfim,
minha sorte vã
e a luz que escondi
no meu amanhã.







Prof. Gilvaldo Quinzeiro

Professores da Escola Gonçalves Dias e convidados 
  
Dr. Welter Cantanhêde, filho mais novo do poeta Déo Silva,
Carvalho Junior, poeta idealizador do Projeto da Biblioteca,
Wybson Carvalho, poeta e historiador.

O fotográfo David Sousa apresentando sua exposição "Caxias em Raios-X"ao  Dr. Welter 
  
Entregando artesanato para escola


 
Palestras na Academia de Letras

Carvalho Junior, Joseane Maia, Wybson Carvalho, Dr. Welter, David Sousa e Renato Menezes





Renato Meneses, vice-presidente da Academia Caxiense de Letras

Apresentação do Grupo de Teatro Menestrel Gonçalvino
Professores da Escola Gonçalves Dias


Parabéns ao poeta Carvalho Junior, aos alunos e a equipe da Escola Gonçalves Dias pelo evento, foi lindo. Obrigada pelo convite!


Ps: Algumas fotos  foram retiradas da página do Facebook da Escola. 

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

AUTO-RETRATO (ADAILTON MEDEIROS)


AUTO-RETRATO

Diante do espelho grande do tempo
sinto asco
tenho ódio
descubro que não sou mais menino
Aos 50 anos (hoje — 16 / 7 / 88 (câncer) sábado — e sempre
com medo olhando para trás e para os lados)
questiono-me (lagarto sem rabo):
— como deve ser bom
nascer crescer envelhecer e morrer

Diante do espelho grande na porta
(o nascido no jirau: meu nobre catre) choro-me:
feto asno velhote pétreo ser incomunicável
sem qualquer detalhe que eu goste
(Um espermatozóide feio e raquítico)

Como nas cartas do tarô onde me leio
— eis-me aqui espelho grande quebrado ao meio 




Adailton Medeiros, nasceu em Caxias, Maranhão, 1930. Filho de Nadir Medeiros e Raimunda Lemos Medeiros. Estudou jornalismo em Niterói, Rio de Janeiro., e depois mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro.  Escreveu vários livros. 

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

O Morro do Alecrim (Antonio Gonçalves Dias)




O MORRO DO ALECRIM 
Antonio Gonçalves Dias
Texto original Primeiros Cantos, 1846

Cachias, como és bella ! — no deserto,
Entre montanhas, derramada em valle
De flores perennaes,
És qual tênue vapor que a brisa espalha
No frescor da manhã meiga soprando
A flor de manso lago.

Tu és a flor que despontaste livre
Por entre os troncos de robustos cedros,
Forte — em gleba inculta
És qual gazella que o deserto educa
No ardor da sésta debruçada exangue
Á margem da corrente. 

Não tens em molle seda occulto as graças,
Não cinges d'oiro a fronte que descancas
Na baze da montanha;
És bella como a virgem das florestas,
Que vê nas agoas desenhar-se as formas,
Firmada em tronco annoso.

Que monte além se eleva negrejante!
Na areia a baze enterra, e o dorso ingente
De rija pedra mosqueado amostra;
Estéril como elle é, dizer parece
Que a ira do Senhor ardendo em raios
A seve d'hartos troncos — de mil annos
Apagou — cousumio — n'um breve instante.

Mas não; a rubra cor que ahi se enxerga
É sangue que correo;
Cada pedra que hi jaz encerra a historia
D'um bravo que morreo.

E raios mil de guerra em morte involtos
Já lá do cimo agreste da montanha
Sibilando e gemendo à funda baze
Baixarão sussurrando.

É do povo o Sinai, que o nobre sangue
Independente e forte — em lide accesa 
Na arena derramou;
E o filho inda lá vai cheio de orgulho,
Do pae beijando o sangue em largos traços
Que a pedra conservou. 

II

E quando alva lua no céo vai brilhando
O disco formoso lusente mostrando,
Então quando as ondas mais vividas crescem
E mais contra a praia a bramir se enfurecem;
Descendo das nuvens ao monte orgulhoso
Infausta se amostra sinistra figura,
Mais negra que as trevas, que fora pasmoso
Ser esse phantasma de humana natura.

E quando é que se vê? — Quando nos bosques
A flor mais puro seo por fumo exhala,
Quando nas folhas o sussurro morre.
Quando das aves o gorgeio pára.

Quando immundo tatú na conxa involto
Vai de manso volver minada campa,
E a coruja sedenta a luz dos mortos
No fronteiro pano da muralha estampa. 

Desde quando apparece? — Ninguém sabe,
E talvez appareça sem ler fim;
Só um em cujo peito horror não coube
Já do phantasma a voz ouvio assim.

Manito — Manito — cobriste o teo rosto
Com denso velamen de pennas gentis;
E jazem teos filhos clamando vingança
Dos bens que lhes deste da perda infelis!

Manito — Manito — descobre o teo rosto,
Bastante nos pesa da tua vingança;
Já lagrimas tristes chorarão teos filhos,
Teos filhos que chorão tão grande mudança.

O triste Anhangá de mui longe nos trouxe
Filhos de Tupan, essa raça damnada,
Emvão deu-lhe off'rendas o Piaga divino
Tocando a maráca na dança sagrada.

Emvão neste monte lhe veio offerlar
A pel'maculada de tigre raivoso,
E fructos, e fructas — e a pe`cambiante
Da Bóa vistosa de corpo pasmoso.

Manito — Manito — cobriste o teo rosto
Com denso velamen de pennas gentis; 
E jazem teos filhos clamando vingança
Dos bens que lhes deste da perda infeliz.

Teos filhos valentes, temidos na guerra,
No albor da manhã quão fortes que os vi!
A morte pousava nas plumas da frexa,
No gume da maça, no arco tupi.

E hoje em que apenas a enchente do rio
Cem vezes hei visto crescer — abaixar..
Já restão bem poucos dos teos qu'inda possão
Dos seos, que já dormem , os ossos levar.

Teos filhos valentes causavão terror
Teos filhos enchião as bordas do mar,
As ondas coalhavão de estreitas igáras
De frexas cubrindo os espaços do ar.

Já hoje não cação nas matas tão suas
A corça ligeira — o trombudo coali.
A morte pousava nas plumas da frexa,
No gume da maça — no arco tupi.

O Piaga nos disse que breve seria,
Manito , dos teos a cruel punição;
E os teos inda vagão por serras, por valles,
Buscando um asilo por invio sertão! 

Manito — Manito — descobre o teo rosto,
Bastante nos pesa da lua vingança;
.lá lagrimas tristes chorarão teos filhos,
Teos filhos que chorão tão grande tardança. 



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Segundo o escritor Emilson Sanches, o poema “O Morro do Alecrim”, apareceu apenas na edição de 1846 dos "Primeiros Cantos" gonçalvinos, na parte das "Poesias Americanas", sendo, nas edições seguintes, em parte suprimido, em parte desdobrado em dois outros poemas bastante lembrados: “Caxias” e “Deprecação”. 

Referência: Gonçalves Dias, Antônio. Primeiros Cantos. Poesias. Rio de Janeiro: Casa de Eduardo e Henrique Laemmert, 1846, pp. 24-9. Consulta feita ao acervo digital da Biblioteca Universidade de São Paulo (https://digital.bbm.usp.br/bitstream/bbm/4135/1/006342_COMPLETO.pdf


terça-feira, 22 de agosto de 2017

PARA CAXIAS - SILVANA MENESES




sussurra no meu ouvido
balança-me, tremula as palmeiras
não existe mais exílio
estou em casa
com o tempo aqui preservado
os becos exalam antigos segredos
as águas ainda murmuram suas canções
os paralelepípedos
sufocados pelo asfalto
outrora pisados por poesia
resistem tal qual
as palmeiras e a sensibilidade
os pássaros voam e pousam
nas vidas entrelaçadas
o canhão lá no morro 
guardando o passado
- que de tão longe me dá uma saudade -
com as lembranças adormecidas
numa gaveta a sete chaves.



Fonte: MENESES, Silvana Lourença. Outras Palavras. São Luís: Gráfica e Editora Aquarela Ltda., 2005.

Ser Nordestino (José Armando Rodrigues de Sousa)



Sou nordestino do agreste
Nascido no Estado do Maranhão
Sou um famoso cabra da peste
Com amor, ternura e satisfação

Tenho orgulho do que sou
Divulgo com fervor aquilo que herdei
Pois sendo nordestino sempre estou
Elevando o torrão que sempre amei

Sei que o povo te admira
Meu querido nordeste sertanejo
Quando falam o teu nome

Vem dentro de mim certo desejo
De sempre ter algo que sempre me inspira
E de te valorizar eternamente sem medo


Caxias dos Amores (Alberto Pessoa)




Caxias única, singular
A tua história triste
É bela para se contar
Mas tua sina resiste

Teus dias estão escritos
Nas peripécias da poesia
Nas ruas aventuras, magia
Na paixão de mil amores

Minha cidade de amor
Que embeleza meus dias
Qual o canto do beija-flor

Sei bem que sofro a tua falta
Mas o que mais me maltrata
É saudade de ti, que mata.