segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Rua Padre Gerosa - Mario Luna Filho



Sempre quis
Fazer um poema
Para a rua Padre Gerosa,
Não um poema épico
Ou onírico,
Nem uma elegia ou haikai.
Não.
Talvez um poema lirico
Ou nem tanto.
Um poema
Sem parábolas ou metáforas.
Que fosse um poema comum
Desses que se encontra
Em todo rodapé de jornal.
Que fosse ao menos
Um poema desses que se encontra
Na seção de achados e perdidos.
Sempre quis
Fazer um poema 
Para a rua Padre Gerosa
Um poema mínimo que fosse,
Quase não existindo,
Mas que existisse.
Que lembre ao menos
De tênue lembrança
Do seu espreguiçar toda manhã.
Para poder acordar,
Uma rua perdida,
No meio de tantas outras.
Poucos a conhecem
(..)
A rua Padre Gerosa 
No entanto
Traça paralelos a minha alma,
Desembocando em todos os meus caminhos.
É que,
Em algum lugar 
Da rua Padre Gerosa,
Deixei guardado
O tempo
De minha infância.

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